Pequena empresa usou inteligência artificial para identificar suspeitos do vazamento de petróleo

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Uma pequena empresa de base tecnológica brasileira é o destaque das investigações para identificar o foco do vazamento de petróleo que atingiu a costa marítima do país. A Hex Tecnologias Geoespaciais usa algoritmos computacionais, machine learning, inteligência artificial, processadores de imagens e imagens de satélite para identificar manchas de óleo no mar. Foi com os indicativos dessa empresa (e de outros estudos) que a Polícia Federal chegou ao principal suspeito do crime ambiental, o navio mercante Bouboulina, de bandeira grega e propriedade da empresa Delta Tankers (a informação consta na decisão do juiz federal Francisco Eduardo Guimarães Farias, da 14ª Vara Federal em Natal).

Em entrevista exclusiva a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, Mariano Pascual, fundador e diretor-técnico da Hex, explicou que a análise foi feita a partir de imagens e dados de satélites da Nasa (Agência Aeroespacial dos Estados Unidos), da ESA (Agência Espacial Europeia) e da Airbus Defense and Space, divisão de monitoramento da fabricante de aviões europeia. Ela foi entregue de graça ao governo brasileiro para ajudar nas investigações. “O estudo, que mapeou uma mancha de 200 quilômetros de extensão, é para ajudar a sociedade a resolver o problema”, diz. O derramamento de óleo, um dos piores acidentes ecológicos ocorrido no país, provocou a contaminação de mais de 250 praias no Nordeste.

A ideia, desde o começo, era oferecer ao mercado tecnologias avançadas geoespaciais para empresas e governo. Mas no mesmo ano em que nasceu, a empresa entrou num hiato. “As inovações geoespaciais eram caras e incipientes e os desafios para montar um negócio eram enormes”, diz Pascual. “Eu dei uma pausa e fui trabalhar como servidor público federal”.

Mas a ideia de ter um negócio próprio e inovador não saía da cabeça de Pascual. No final de 2011, ele decidiu reabrir a empresa. A decisão se baseava no momento que a tecnologia geoespacial vivia. “De uma hora para outra, o mercado ficou maduro. A gente finalmente podia criar soluções de sensoriamento remoto para a preservação do meio ambiente e fazer o monitoramento de grandes áreas”. Dois anos após a reabertura, a Hex acumulava R$ 10 milhões de faturamento em contratos. Entre os primeiros clientes estavam a japonesa Restec (Centro de Tecnologia em Sensoriamento Remoto) e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Segundo Pascual, um dos grandes motivos para a empresa deslanchar foi a entrada do sócio Leonardo Barros, hoje diretor-executivo da empresa. “O Barros é um empreendedor nato”, diz Pascual. “Ele criou a estratégia de negócios e eu fiquei responsável pela tecnologia. Juntos, fizemos um plano para reter talentos e competir com os grandes players do mercado”.

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