Os pagamentos instantâneos vão acabar com as maquininhas de cartão?

0
148

O Banco Central está desenvolvendo um novo modelo de pagament instantâneos,os que visa reduzir ou até mesmo acabar com as altas taxas de transferências, abrindo portas para o desenvolvimento de novas soluções, como as fintechs e as carteiras digitais. De modo simplista, os pagamentos poderão ser feitos via QR Code, por aproximação ou qualquer outra tecnologia de transferência de dados, dispensando intermediários e diminuindo gradativamente a circulação de dinheiro em espécie.

A iniciativa, prevista para 2021, tem a intenção de permitir que as transações financeiras sejam efetuadas imediatamente, sem restrições de datas ou horários – hoje, por exemplo, o TED e DOC são realizados em dias úteis, entre às 6h30 e 17h.

Ou seja, a medida pretende melhorar o ambiente de negócios: quando as pessoas têm dinheiro na conta corrente, elas exigem que as transações aconteçam de forma instantânea e é isso que a novidade traz.

Uma das maiores dúvidas dos micros, pequenos e médios empreendedores diz respeito ao futuro das maquininhas com o advento dos pagamentos instantâneos. A meu ver, as mudanças pelas quais o mercado financeiro brasileiro está passando colocam mais em xeque o cartão de débito do que de crédito – que já está incumbido na cultura dos brasileiros – ao invés de sinalizar o fim das maquininhas. No entanto, será preciso sim atualizar os modelos que existem hoje, trazendo soluções cada vez mais ágeis e práticas.

A estabilidade da taxa no período pode estar associada, entre outros fatores, ao surgimento de novas barreiras à competição.

Naquele mesmo 2010, três grandes bancos se juntaram para criar a bandeira Elo, que, por um lado, acirrou a competição entre as bandeiras – mercado até então dominado pelas estrangeiras Visa e Mastercard –, mas, de outro, limitou a competição entre as maquininhas, já que a Elo era aceita apenas na Cielo –assim como o Hipercard, por exemplo, era aceito apenas nas maquininhas da Rede.

Na metade de 2016, a Elo já respondia por mais de 15% das transações com cartões de débito emitidos no Brasil com pagamentos instantâneos

A Hipercard, por sua vez, representava 4% das transações com cartão de crédito. Com cada vez mais cartões dessas bandeiras nas mãos dos consumidores, o estabelecimento que não tivesse maquininhas da Cielo e da Rede corria o risco de perder vendas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui