OPINIÃO – Como criar uma cultura inovadora em tempos de crise?

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Como criar uma cultura inovadora em tempos de crise?

Por Marília Cardoso

 

O coronavírus chegou mudando os nossos hábitos, as nossas rotinas e, principalmente, as nossas verdades absolutas. Aquelas velhas certezas estão simplesmente caindo por terra. O novo cenário está posto e não há nada a fazer, a não ser se adaptar. Diante disso, precisamos rever posturas e desenvolver novos comportamentos. Se o mundo muda, a gente precisa mudar junto. Por isso, elenquei algumas dicas fundamentais para estimular a cultura inovadora na sua empresa nesses tempos de crise.

 

# Dissemine o propósito:

momentos como o que estamos vivendo costumam despertar reflexões profundas. Com a vida sob ameaça, as pessoas tendem a ficar mais sensíveis, buscando encontrar o sentido das coisas. Nessa hora, é comum se questionarem sobre qual é o verdadeiro motivo de saírem de suas camas todos os dias para enfrentar o trânsito e ir trabalhar. Por isso, mais do que nunca, é importante que o propósito da sua empresa esteja claro. Os colaboradores precisam saber para o que, de fato, eles estão trabalhando. O que eles estão construindo? Qual é o legado que querem deixar para os próximos? Então, deixe todos muito cientes do motivo pelo qual a sua empresa existe.

 

 

# Dê autonomia:

não adianta liberar o home-office e ficar mandando mensagem a cada cinco minutos só para saber se o funcionário está trabalhando. Autonomia quer dizer liberdade de atuação. Não importa se as pessoas vão fazer mais tempo de almoço ou se vão parar no meio da tarde para um café. Essas coisas já acontecem no dia a dia e são absolutamente normais. Vire a “chavinha”. O trabalho não é uma questão de horas, mas sim de produtividade. Delegue as tarefas, estabeleça os prazos e confie que tudo sairá bem. Profissionais com autonomia tendem a ser muito mais produtivos. Garanta que sua equipe tenha o ambiente necessário para trabalhar sem vigilância.

 

 

 

# Incite a criatividade:

se há um remédio contra essa situação, certamente é a criatividade. Com ela, é possível fazer mais com menos, fazer coisas diferentes para chegar aos mesmos resultados ou, melhor, para atingir resultados antes impensáveis. Se tirarmos a letra S da palavra crise, temos a palavra CRIE. Então, estimule seus colaboradores a tirarem o S e, com ele, tirarem também todo o pânico, a ansiedade e as lamentações. É hora de transformar limões em caipirinhas. Chorar, reclamar e sofrer, simplesmente não irá resolver o problema. O jeito é arregaçar as mangas, fazer o que for possível, criar o impossível e seguir em frente. Crises não duram para sempre e, elas costumam ser darwinistas: não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim os que melhor se adaptam.

 

 

# Favoreça a experimentação:

não tem como ser criativo em um ambiente quadrado, que pune os erros veementemente. Para enfrentar a crise com criatividade, além de autonomia e propósito, é preciso criar um clima que favoreça a experimentação. Correr riscos faz parte do processo. É preciso estimular os testes, com ousadias calculadas, erros pequenos e rápidos. A chefia precisa levar em consideração que a equipe não vai acertar sempre, mas nunca vai conseguir um resultado diferente se estiver fazendo as mesmas coisas. Quando o erro acontecer, em vez de jogá-lo embaixo do tapete e cortar a cabeça do culpado, é preciso incentivar que todos façam uma avaliação do que funcionou e do que não funcionou. Nunca temos um erro por completo e, ele sempre pode trazer grandes aprendizados. Só depende de como ele será tratado.

 

 

# Estimule a empatia:

uma das melhores formas de gerar uma cultura inovadora é estimular a geração de empatia. Um dos grandes motivos de fazermos sempre as mesmas coisas é o péssimo hábito de acharmos que sempre sabemos o que os outros pensam, sentem, gostam. Não! Nós não sabemos. E só há como se aproximar dos pensamentos, sentimentos e preferências do outro se tentarmos nos colocar nos lugares deles. Normalmente, costuma-se dizer que empatia é se colocar nos sapatos dos outros. Mas, como fazer isso se, na maioria das vezes, somos incapazes de tirarmos os nossos próprios sapatos? Empatia quer dizer libertação de pré-conceitos e julgamentos. Só é capaz de ser empático aquele que se distancia de si mesmo para acolher o outro.

 

 

# Invista na diversidade:

é muito fácil conviver com pessoas parecidas com a gente, mas absolutamente castrador. As mesmas ideias, as mesmas atitudes, as mesmas opiniões. Impossível inovar em um ambiente em que não há diversidade. E, não estou me referindo apenas a questões de classe social, raça, idade ou preferência sexual. As empresas precisam de pluralidade para criar uma cultura inovadora. Tem que ter gente com formações diferentes, com histórias de vida diferentes, com pensamentos diferentes. A riqueza mora na diversidade. Uma das premissas básicas da inovação é a multiplicidade. Para construir um novo caminho, precisamos ver várias rotas simultaneamente.

 

 

# Incentive a colaboração:

por fim, ninguém consegue fazer nada sozinho. A inovação depende da colaboração e da co-criação. Em momentos de crise, a solidariedade aflora e, é normal que as pessoas fiquem mais dispostas a ajudar, despertando um senso de coletivismo. Então, aproveite o momento para estimular a colaboração na sua equipe. Uma vez desenvolvido esse comportamento agora, provavelmente, ele irá perdurar quando a tempestade passar. Inovação demanda colaboração em vez de competição. Quanto mais as pessoas puderem se unir para trocar experiências de sucesso ou para ajudarem as outras, melhor para todos.

Que a crise passe e que a cultura inovadora se instaure, definitivamente, na sua empresa.

Marília Cardoso é sócia-fundadora da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO 56.002, de gestão da inovação.

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