Inovar com segurança é o lema do cliente e o desafio dos bancos

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Luis Carlos Rego

Quando pensávamos no setor bancário do ponto de vista do cliente, logo imaginávamos filas enormes e burocracia. Contudo, essa visão está se tornando obsoleta com as facilidades da era digital. No entanto, nos últimos anos, vimos emergir no Brasil uma crescente oferta de serviços tradicionais por meio de smartphones, que agilizaram processos e transações. Além disso, novas facilidades já são comuns aos brasileiros, seja por fintechs ou processos, recursos embarcados, como novos meios de pagamento, opções e análise de crédito, entre outras tecnologias financeiras fora do sistema bancário, já são comuns aos brasileiros.

De acordo com a Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária 2019, as operações por mobile banking dobraram em relação a 2016, chegando a 31,3 bilhões em 2018. O perfil do consumidor mudou e as agências já vêm se adequando para seguir as novas demandas.

Com o grande volume de informações, aplicativos e dados, o sistema Open Banking chega ao Brasil com a proposta de ser um espaço organizado e eficiente para serviços bancários e o principal caminho para empresas tradicionais competirem lado a lado com os bancos digitais. O princípio desse sistema é libertar o usuário e garantir que ele seja dono dos próprios dados, o que vai permitir, por exemplo, organizar suas informações financeiras em plataformas fintechs.

O Banco Central deu início ao processo de regulamentação do Open Banking neste ano, mostrando similaridade ao modelo britânico, ativo desde 2017. O objetivo é aumentar a eficiência e a competição no sistema financeiro nacional e abrir espaço para a atuação de novas empresas do setor. No Open Banking, com a democratização dos dados, os clientes poderão migrar suas operações para serviços que respeitem o seu perfil, suas expectativas ou mesmo selecionar opções de produtos financeiros em outras instituições.

No entanto, apesar dos benefícios apresentados, muitos questionarão a segurança da informação no movimento de abertura dessas informações – assim como questionam a segurança digital desde o caso Cambridge Analytica. Novos desafios, como administrar e gerir diferentes interfaces de programação de aplicações (APIs) no que diz respeito à segurança, controle de acesso e billing desses acessos, farão parte do processo. Hesitação e desconfiança são os primeiros sentimentos que aparecem junto às inovações, mas é importante ressaltar que já existem mecanismos para automatizar a gestão da APIs de forma segura e prevenir os dados de possíveis ameaças.

No mercado, já estão disponíveis ferramentas que facilitam a integração de dados e serviços de terceiros à plataforma do banco, sem interrupções para a instituição nem para os clientes. Além disso, os modelos de segurança Zero Trust, por exemplo, registram e analisam todas as interações do usuário. Assim, vazamento de dados e barreiras tecnológicas devem se tornar exceções em um universo em que a primeira lei será a excelência na oferta de serviços e segurança.

Hoje, o ciberespaço ganhou relevância nas decisões econômicas e a informação tornou-se um atributo valioso. Por isso, ter acesso a informações é a premissa de qualquer usuário. O Open Banking reflete essas mudanças da relação entre o banco e o contratante e, nesta aproximação, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é fundamental para garantir os deveres e os direitos dos dois lados. Para funcionar na Europa, por exemplo, a abertura dos bancos está estritamente ligada ao General Data Protection Regulation (GDPR). Para se consolidar no Brasil, o sistema precisa respeitar a LGPD e garantir o bom funcionamento do serviço.

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