Afinal, o que é uma startup?

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Afinal, o que é uma startup?

Por José Neto

Estamos acompanhando um verdadeiro “boom”, no mercado das chamadas “startups”. Estima-se que o brasil tenha mais de 12 mil startups, esse número representa um aumento de 27% em relação ao ano de2018 e se compararmos ao ano de 2011, esse número é 20 vezes maior, é o que aponta um levantamento feito pela ABStartups – Associação Brasileira de Startups.

Mas o que é realmente uma startup e quais as bases do modelo de negócio que fizeram com que empresas como Ifood, 99 e Nubank, alcançassem o valor de 1 Bilhão de dólares, e entrassem para o tão sonhado grupo dos Unicórnios?

A partir de hoje, iniciaremos uma série de artigos que fará com que você leitor, conheça todos os mecanismos jurídicos que dão sustentação para as startups e permitem que elas cresçam de forma segura.

Mas de início, vamos começar pelo…. começo: Afinal, o que é uma Startup?

Logo de cara é importante ressaltar que não há um único conceito estático do que seja uma startup, Eric Reis, famoso autor do livro Estartup Enxuta, diz que “uma startup é uma instituição humana projetada para criar novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza”.

Reis já aponta o que talvez seja um dos fatores mais importantes de uma startup, que é a condição de extrema incerta, isso porque, em um modelo de negócio inovador, que muitas vezes necessita de uma validação, lidar com as incertezas do próprio mercado, de leis que mudam a cada dia, mudança de governos, dentre outros, se torna um dos maiores desafios de qualquer startup, por isso estar preparado para lhe dar com uma condição de extrema incerta é ponto vital na caminhada de qualquer empreendedor.

 

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Aqui para que sejamos práticos, trataremos as Startups como uma empresa em estágio inicial, embora muitas vezes essa empresa ainda não tenha sido formalmente constituída.

As startups trazem consigo o desafio de solucionar uma falha no mercado, de uma forma completamente inovadora, portanto não seria interessante definir, no sentido de limitar, o que é ou o que não é uma startup, mas podemos elencar alguns elementos que caracterizam fortemente uma:

Ausência de processos e organização interna:

O primeiro elemento caracterizador dessas empresas que se encontram em um estágio muito inicial e muitas vezes partindo apenas de uma ideia, é uma ausência de processos e de organização interna.

Isso porque nesse estágio há apenas uma ou algumas pessoas buscando resolver um problema de mercado de uma maneira completamente diferente. Aqui não se pode falar ainda em estrutura organizacional, metas, etc.. O principal desafio do empreendedor nesse momento é validar a sua ideia, ou seja é garantir que o mercado está disposto a usar aquele produto ou serviço.

Com o passar do tempo, vão-se criando os procedimentos de organização e estrutura interna da startup.

 

  • Inovação:

Outra característica muito marcante de uma startup é o perfil inovador, essas empresas utilizam a criatividade para solucionar problemas de mercado e romper completamente com um padrão pré-estabelecido, fazendo com que os usuários desse mesmo serviço possam utilizá-los de uma maneira mais simples, rápida e mais barata.

 

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Esse perfil inovador não se apresenta apenas no modelo de negócio, mas também nas pessoas que trabalham nessas empresas, geralmente elas não se submetem as regras e padrões já conhecidos pelo mercado, como por exemplo o trabalho em horário fixo, estilo de roupa, etc… Essas pessoas precisam sempre serem movidas por novos desafios para que se mantenham ativas e engajadas, elas precisam se sentir como parte do propósito daquela empresa.

 

Essa mudança por vezes ela é tão radical, que rasga com o modelo de negócio já estabelecido há décadas, veja por exemplo a revolução que o Nubank trouxe para o mercado bancário, possibilitando que as pessoas não mais dependesse de se dirigir a uma agencia física, esperar horas em uma fila para terem acesso a uma conta bancária e talvez um cartão de crédito;

 

Controle de custos:

É comum que uma startup não possua capital no início, ou que esse capital seja bem reduzido, sendo assim os fundadores precisam agregar habilidades complementares como forma de reduzir os custos na fase inicial.

 

Também é bastante comum, que a startup não possua muito dinheiro para pagar salários, portanto caso ela identifique que alguma pessoa é vital para o negócio, ela poderá oferecer uma parcela da startup (equity) para que esse funcionário permaneça engajado, passando a ser futuramente um sócio da empresa.

 

Muitas vezes isso é feito por meio de um contrato de Vesting, mas não se preocupe, falaremos detalhadamente sobre o Vesting em um artigo específico;

 

Validam seu produto ou serviço através do MVP – Minimo Produto Viável:

Como falamos a pouco a startup não possui dinheiro, ou muitas vezes esse dinheiro é bem pequeno. Isso exige que elas busquem validar o seu modelo de negócio de uma forma simples e rápida. É aí que surge o chamado Produto Viável Mínimo ou MVP (Minimum Viable Product). O MVP permite o empreendedor este e valide o modelo de negócio entendendo realmente o que o seu público necessita e ao longo do desenvolvimento ir fazendo melhorias contínuas conforme a necessidade de seus usuários, evitando portanto, gastar tempo em dinheiro em algo que o seu cliente não quer.

Fique ligado que ao longo dessa série de artigos, falaremos especificamente sobre o MPV!

 

Escalabilidade:

Ser escalável também é uma importante características dessas empresas. Significa que a empresa possui a capacidade de expandir seu produto ou serviço para um grande número de pessoas, mas sem que isso represente um aumento significativo no custo.

 

Necessidade de capital de terceiros:

Geralmente o capital inicial que o fundador dispõe não é o suficiente para que ele possa tocar e alavancar a startup. Portanto, muitas vezes ele necessitará buscar dinheiro no mercado. Essa busca por capital pode ocorrer através do chamado de investidores anjo, Crowdfunding, dentre outros.

 

Também não se preocupe que falaremos detalhadamente sobre como a startup poderá captar investimentos.

 

Uso da tecnologia:

Como estratégia para ser mais eficiente, as startups utilizam uma grande carga de tecnologia nos seus produtos e serviços, isso sempre pra ofertar a um maior número de pessoas, uma melhor experiencia e baixo custo.

 

O uso da tecnologia também permite que as startups foque apenas naquilo que é importante para ela, analisando o perfil dos consumidores por meio da análise estratégica de Big Data.

Bom, agora que você já entendeu um pouco o que é uma Startup, acompanhe nossos artigos que ao longo das próximas semanas falaremos sobre os principais aspectos jurídicos que sustentam esse modelo de negócio, desde a fase de ideação até a captação de investimentos.

Até logo!!

José Neto é advogado e membro da Comissão de Direito das Startups da OAB/PE  e Legal Growth Hacker

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