Entrevista:Ele criou uma empresa que revoluciona o mercado de livros no Brasil

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Clube de Autores,é a maior plataforma de autopublicação da América Latina,e o da empresa,CEO Ricardo comemora seus primeiros 10 anos de existência. Mesmo com o setor em crise, a empresa cresceu cerca de 30% em 2018, e agora busca expansão internacional: os autores independentes, poderão vender seus livros no Brasil e no mundo inteiro através da plataforma.

Ricardo, como surgiu a ideia de empreender?

– Empreender tem a ver com prever o futuro, com transformar visões e expectativas em realidades tangíveis. E eu sempre acreditei que a melhor maneira de prever o futuro é olhar para o presente e tirar dele tudo o que não fizer sentido.

Eu escrevo livros desde adolescente e, para mim, não fazia sentido algum viver em uma era hiperconectada e tecnológica sem a possibilidade de publicar um livro gratuitamente, sem a necessidade de imprimir tiragens gigantescas que acabariam mofando na minha própria prateleira ao invés de chegar ao público leitor.

A partir daí foi uma questão de sentar, planejar e, sobretudo, negociar a execução do que acabou se tornando a primeira empresa e plataforma de autopublicação da América Latina: o Clube de Autores.

– Qual é maior inovação do ‘Clube dos autores’?

O modelo. Antes do Clube, autores iniciantes só podiam publicar seus livros se pagassem alguns (muitos) milhares de reais para editoras que, em contrapartida, entregavam tiragens em suas casas. Era um modelo de negócios esquisito porque invertia a lógica: por ele, cabia ao escritor pagar pela sua história (ao invés de receber) e vendê-la ao público (algo que deveria caber a uma livraria).

Em nosso caso, o autor publica gratuitamente e nós distribuímos para todas as maiores livrarias do país. Se a venda ocorrer de maneira impressa, imprimimos um a um e fazemos o envio; se ocorrer digitalmente, em formato ebook, integramos os arquivos à plataforma pela qual a compra tiver sido feita. Do outro lado, o autor pode acompanhar as suas vendas online e receber os seus direitos por depósito direto em conta. Simples assim.

– Quais foram as dificuldades enfrentadas pelo grupo?

Estar à frente do nosso tempo. Poucos dizem isso, mas estar à frente do tempo pode ser a pior praga de qualquer empreendedor porque ele terá que criar modelos e conexões até então inéditas com fornecedores e ensinar ao público sobre a sua oferta. Ou seja: se algo é inovador, ele é também, por definição, desconhecido pelo público e sem nenhum mercado fornecedor já devidamente sedimentado.

A maior dificuldade da empresa, portanto, foi criar um mercado até então inexistente com as dificuldades de uma start-up, que incluem falta total de verba para comunicação.

– O que é o modelo self-publishing?

Self-publishing, ou autopublicação, é permitir que o próprio escritor possa publicar o seu livro sem nenhum intermediário. Cabe a ele zelar pela qualidade da sua obra (sendo que nós provemos um mar de ferramentas e conteúdos gratuitos para auxiliá-lo) e executar, online, pelo site do Clube de Autores, o processo de publicação em si.

Ele consegue colocar a sua obra no site em 5 minutos. O que fazemos com ela? Distribuímos para venda em todas a grandes livrarias do país e do mundo e, quando a venda acontecer, produzimos o exemplar e entregamos ao consumidor no prazo normal de qualquer comércio eletrônico.

É um modelo extremamente simples e prático para o escritor e para o leitor, embora carregado de complexidades tecnológicas do ponto de vista operacional e técnico.

– Qual dica você daria a pessoa que quer empreender no setor editorial e não sabe por onde começar?

O mercado editorial – no mundo inteiro, mas principalmente no Brasil – é antiquado e altamente ineficiente. Ele é, portanto, um mar de oportunidades para quem quiser se aventurar. Quer uma prova disso? O número de leitores e de livros lidos por pessoa no Brasil cresce a olhos vistos anualmente, mas notícias de recuperações judiciais, quebras e falências de empresas do ramo, livrarias e editoras, se multiplicam. Como ler um mercado que tem demanda crescente e oferta decadente? Como um ecossistema cansado da maneira tradicional de fazer negócios e sedento por inovações.

Não é por outro motivo que a empresa como o Clube, por exemplo, estejam registrando taxas de crescimento da ordem de 30-40% justamente quando o mercado tradicional está reportando quedas sucessivas de faturamento e resultado.

A dica, portanto, é simples: olhe a cadeia editorial inteira e veja o que não faz nenhum sentido. A partir daí, crie algo mais eficiente, mais lógico, mais óbvio. E execute.

Sempre seguindo a lógica que deve guiar qualquer profissional, de qualquer setor: empreender é 20% planejamento e 80% execução.

– Podemos esperar por novidades do ‘Clube dos autores’? Se sim, quais?

Sim, muitas. Inovar não é um processo estanque mas um ”estilo de vida corporativa”, por assim dizer. Hoje, quem não inova está fadado ao fracasso. Desde que começamos até hoje, por exemplo, já lançamos um marketplace de serviços profissionais (www.profissionaisdolivro.com.br), que conta com mais de 4 mil prestadores de serviço à disposição de autores, já viabilizamos a distribuição de livros por livrarias tradicionais, já criamos modelos de entregas de conteúdo personalizado e assim por diante.

Para o futuro, nossa meta é clara: usar todo esse ecossistema único que acabamos criando para impulsionar futuros best-sellers, utilizando algoritmos e inteligência artificial tanto para detectar os livros com maior potencial quanto para ajudar os seus autores a chegar nos seus respectivos leitores com a maior eficiência possível. Isso não é nada simples, claro… mas quem disse que inovar é fácil?

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